Uma carta de amor ao Núcleo


Há muito tempo, penso pegar uma caneta e um papel para expressar o meu agradecimento a todos do Núcleo "Paz e Amor". A todos sem exceção, desde os tarefeiros até os próprios assistidos. Por que os assistidos? Porque sem percebermos, nós também aprendemos muito com os irmãos que aqui vêm em busca de uma palavra de conforto.

Somente Jesus poderá compensar todo o amor, carinho, amizade e compreensão que recebemos de todos os tarefeiros da Casa. A pessoa sai de seu trabalho cansada e ainda encontra tempo para nos dedicar algumas horas com palestras tão oportunas e que são um verdadeiro alimento para o espírito. Palestras estas que parecem que foram ditadas ou faladas especialmente para cada um de nós. Os temas encaixam-se direitinho no estado de ânimo com que nos encontramos no momento.

As pessoas do Núcleo "Paz e Amor" são realmente maravilhosas, e também os assistidos são especiais. Aquelas pessoas que pensamos não ter problemas pois estão sempre rindo, ao conversarmos com elas, percebemos que não é bem assim. Quem vê cara não vê coração. Eu sempre penso e peço perdão a Deus pois os problemas delas é bem maior que o meu; pensando melhor, eu não tenho problemas.

Lembro-me de uma palestra que ouvi certa vez. Penso que naquele dia o palestante sentiu o que se passava comigo. Já havia uns quinze meses ou mais que eu e outras pessoas frequentávamos o Núcleo e continuávamos com o mesmo semblante. Então disse ele que não adiantava ficar ali falando horas e horas, se cada um de nós não nos ajudássemos, se não tentássemos praticar o que ouvíamos.

A partir deste dia comecei a acordar e a praticar os ensinamentos, com vontade de voltar a ser feliz, pois eu já havia sido feliz uma vez. Então pensei: "Se o problema sou eu, vou resolvê-lo". Porque os palestrantes nos dizem que somos o que queremos ser. Então, porque não tentar ser o que penso que sou? Se não é fácil andar acompanhado de espíritos tristes, porque então não passar a andar com espíritos alegres?

Comecei a praticar. No início não foi fácil, mas graças a Deus e aos amigos desta Casa estou conseguindo! Foi difícil porque perdi meu emprego, perdi minha casa, quase perdi tudo o que tinha, mas encontrei mãos poderosas que muito me ajudaram. Quando pensei que não iria aguentar, ouvi aquele "puxão de orelha". Aprendi a não reclamar mais e passei a agradecer por pior que fosse a situação e só pedia forças. Os palestrantes dizem sempre que Deus não nos dá uma cruz maior que o peso que possamos suportar, e é verdade.

É difícil, mas sempre que pensarmos em reclamar, devemos olhar para os lados e veremos sempre alguém com a cruz maior que a nossa.

Autoria: 
Maria Aparecida Ferreira