Em alguns momentos, é preciso saber dizer não


Era uma vez uma pequena Colônia do interior de São Paulo, chamada Pirapitingui. Lá viviam centenas de pessoas com hanseníase que, apesar de viverem isoladas e segregadas da sociedade, mantinham-se graças ao trabalho e a cooperação mútua entre os moradores. O tempo foi passando e quando a hanseníase não mais apresentava risco de contágio, muitas caravanas provindas de todo o Estado, começaram a visitar o local, trazendo a esses irmãos muito carinho e amizade.

Traziam também uma fartura de roupas novas, mantimentos e muitas outras coisas e, em pouco tempo, a maioria do comércio local foi fechando suas portas, poucas pessoas continuaram a trabalhar e foram encontradas inúmeras peças de roupas enterradas pelos jardins. Não havia mais necessidade de se trabalhar, pois a quantidade de doações das caravanas era tamanha que os internos do hospital tinham tudo o que precisavam sem o mínimo esforço. Para se ter uma idéia, não era preciso nem mesmo lavar as roupas, pois novas chegariam dentro em breve...

Pode parecer estranho, mas esta é uma história real relatada por muitos caravaneiros que, desde o início, visitam Pirapitingui. Se por um lado contribuíram, e muito, para reintegrar esses irmãos à sociedade, por outro, com o nobre ideal de auxiliá-los materialmente, prejudicaram o melhor caminho de crescimento espiritual de um homem: o trabalho.

É lógico que para tudo, é preciso bom senso. Há muitas pessoas realmente necessitadas e que precisam de nosso auxílio para sobreviver. Mas é preciso uma certa dose de cuidado quando nos dispomos a dar esse tipo de ajuda. Quem de nós já não teve dúvidas do destino de sua doação? Será que não seria usada para compra de bebidas, cigarros, drogas, etc.? Para nós esse tipo de julgamento é muito difícil e, às vezes, injusto. O que fazer então? Uma das melhores soluções é a de ajudar essas pessoas através de instituições filantrópicas idôneas.

Quase toda Casa Espírita, por exemplo, tem um trabalho de ajuda a irmãos necessitados, onde são arrecadados alimentos, roupas, produtos de higiene pessoal, etc.

Nosso Núcleo Paz e Amor, possui há algum tempo, um trabalho sério de assistência material à gestantes e à população carente em geral, onde é feita uma pesquisa de cada caso, verificada a necessidade real de cada família, para depois, auxiliá-las da melhor forma possível.

E mesmo com todo este cuidado, muitas vezes nos deparamos com situações de difícil solução, onde pessoas que batem à nossa porta e são auxiliadas materialmente, acabam se acostumando à prática da mendicância. Embora sabendo que os trabalhos de assistência social são realizado às segundas-feiras à tarde, essas pessoas vêm à nossa Casa quase todos os dias da semana abordando tarefeiros e assistidos que, munidos de bons sentimentos e comovidos com as criancinhas que carregam no colo (inocentes com certeza), e com as trágicas histórias que lhes são contadas, sentem-se na obrigação de auxiliar esses irmãos em aflição.

A caridade para esses casos precisa ter limite... As pessoas precisam descobrir outras formas de viver além de pedir. Precisam crescer, aceitar as oportunidades de trabalho e mudar suas vidas.

Portanto, queridos amigos, solicitamos encarecidamente a todos os assistidos e trabalhadores da Casa, sem exceção, que não dêem dinheiro ou mesmo outros bens materiais diretamente a esses irmãos. Peçam a eles que procurem os responsáveis pela assistência social do Núcleo, para que tenham realmente o que precisam. Obrigado.

Autoria: 
Da Redação