Sempre há tempo para ajudar nosso próximo


Nosso primeiro impulso, em qualquer situação difícil, é o de reclamar e achar um culpado para nossas dificuldades. Jamais admitimos, porém, ser, nós mesmos, os principais responsáveis por tais sofrimentos.

É mais fácil reclamar do que procurar meios que possam solucionar ou, ao menos, aliviar os problemas que nos afligem. Não percebemos que as nossas reclamações apenas obscurecem nosso caminho em busca de soluções; elas agravam nossas dificuldades, afastam-nos de Deus e deixam-nos desanimados e sem forças para lutar por uma vida melhor.

Ainda devemos considerar que os problemas são úteis à nossa evolução. É através de nosso comportamento perante esses momentos de dificuldade que veremos se aprendemos ou não os ensinamentos de Jesus. Enquanto estamos "à luz do dia", é fácil falar de paciência, perdão, compreensão... Mas, "ao cair da noite", é que provamos se nossas palavras são verdadeiras ou não.

Feliz daquele que é capaz de conhecer a escuridão da noite sem precisar vivenciá-la. A dor é necessária, pois, na maioria das vezes é através dela que descobrimos Jesus. Entretanto, podemos aprender, também, através do amor; um caminho muito mais suave, mas, infelizmente, muito menos utilizado por nós.

Quantas chances temos de auxiliar nossos irmãos que se encontram em dificuldades, na escuridão. Mas será que aproveitamos essas oportunidades? Será necessário que enfrentemos essas situações desesperadoras para que possamos entender o sofrimento alheio? É claro que não. Mas são raras as vezes em que compreendemos as dificuldades de nossos semelhantes. Estamos sempre criando empecilhos, procurando justificativas que possam livrar-nos das responsabilidades de ajuda ao próximo. Se somos requisitados para alguma tarefa, alegamos não ter tempo disponível, dizendo termos assuntos urgentes a resolver.

Esquecemos, porém, que nosso próximo é quem mais carece de nosso tempo e que não há urgência maior do que suprir suas necessidades. Não encontramos tempo para participar de atividades de ajuda ao próximo, mas ficamos horas em frente a uma televisão; recusamos as ofertas de trabalho no campo da caridade, mas não deixamos de comparecer às festas a que somos convidados.

Precisamos de tempo para viver nossas vidas, não há dúvida, mas analisemos, a todo instante, se estamos utilizando nosso tempo da melhor forma. Se tivermos essa atitude, mesmo que um dia tenhamos de passar pelos mesmos problemas que nossos irmãos em dificuldade, saberemos como agir e, ao invés de acusarmos as "trevas" pela noite que surge, agradeceremos a Deus por já termos aprendido a nos guiar na escuridão.

Autoria: 
Alexandre Ferreira