Querendo sempre mais...


... Chico [Xavier], então, começa a falar. Sua voz suave e mansa vai penetrando os ouvidos dos presentes: "À medida que a Providência Divina determina melhoras para nós, na Terra, inventamos aflições... Para cultivar o solo temos o auxílio do trator; antes só possuíamos carros-de-bois... Hoje, temos veículos motorizados encurtando as distâncias, mas não nos contentamos com os 80 km por hora; antes andava-se a pé... Hoje, a geladeira conserva quase tudo; antes plantavam-se canteiros..."

Fala do conforto em que o homem vive e do seu comodismo espiritual: é que precisamos contentar-nos com o que temos; estamos ricos, sem saber aproveitar a nossa felicidade... Antes, as pessoas idosas desencarnavam conosco; hoje as mandamos para os abrigos... Tínhamos um pouco de prosa durante o dia, a oração à noite; agora inventamos dificuldades e depois vem o complexo de culpa e vamos para os psiquiatras... Se estamos numa fila e uma senhora doente nos pede o lugar, precisamos cedê-lo. Recordemo-nos da prece padrão para todos os tempos que é o Pai Nosso, quando Jesus diz: "O pão nosso de cada dia..." Por que acumular tanto? Existem pessoas que possuem trinta e cinco pares de sapato; onde é que irão arrumar setenta pés? Estamos sofrendo mais por excesso de conforto do que excesso de desconforto. Morre muito mais gente de tanto comer e de tanto beber, do que por falta de comida... A inflação existe, porque queremos o que é demais.

Autoria: 
Trechos extraídos do livro "Chico, de Francisco", de Adelino da Silveira