Assistência espiritual, com muito amor


Liberdade! Palavra tão discutida, tão pronunciada pelo homem em todos os tempos e que, na atualidade, ganha mais força em consequência da própria evolução dos tempos.

Ser livre para quê? Eis uma boa pergunta. Medito na resposta e considero importante a liberdade, tão importante para o homem quanto o ar que ele respira. Entretanto, cumpre considerar que a liberdade absoluta é algo bastante difícil de ser alcançado. Todos, indiscriminadamente, estamos sujeitos a limitações maiores ou menores em relação à nossa vontade de sermos livres.

Estas limitações, cumpre ressaltar, são de várias ordens. Há aquelas que nos são impostas pelos que têm a missão de nos educar. Há outras que as leis nos apontam, para determinar a existência de um limite entre o que podemos e o que não podemos fazer, em função de não prejudicarmos o nosso semelhante. No entanto, há limitações à nossa liberdade que são impostas por nós próprios. Elas são marcadas pelo nosso passado, pelas experiências vividas, pelo que se aproveitou e pelo que se desperdiçou. Nós mesmos, de forma inconsciente, colocamos limitações à nossa ação, visto termos registrado, no âmago da nossa essência espiritual, a real necessidade de nossa caminhada evolutiva.

Esse tipo de limitação, logicamente, está sujeita às leis de Deus. Sob este aspecto podemos consagrar a idéia de relatividade da liberdade. Deus, ao nos criar, concedeu-nos a utilização do livre arbítrio, mas, como Pai amoroso, está a nos observar para que não nos desviemos do caminho certo, conscientizando-nos de que necessitamos de reajustes para compensar o mau uso da nossa liberdade como seres humanos, parte de uma sociedade e, como Espíritos, parte da criação divina.

Ser livre é uma conquista que leva tempo e requer muito esforço. Se alguém quiser ser realmente livre, que cuide de assumir responsabilidades, intensificar a ação diária e submeter-se, acima de tudo, à disciplina. Poderia até afirmar, para usar uma imagem bem simples, que muitos criminosos só começam a ser livres quando se vêem limitados pelas grades de um presídio, submetidos à meditação forçada, à disciplina imposta, à punição dolorosa.

Quero pedir a todos que meditem a respeito de sua medida de liberdade. Há quem mereça ser mais livre porque tem mérito para isso. Que aprendam a submeter-se à vontade de Deus, representada nas dificuldades aparentemente injustificáveis, nas tarefas cansativas, nos momentos felizes. E, se há liberdade maior a alcançar, objetivamente, posso dizer: é a de sermos livres do orgulho, da vaidade, do ódio ou de qualquer outro sentimento daninho, origem de nossas quedas.

28 de dezembro de 1978.

livro
Intercâmbio
Alayde de Assunção e Silva, Lucia Maria Secron Pinto, pelo Espírito Luiz Sérgio
Livraria e Editora Recanto

Autoria: 
Esta reportagem foi publicada em nosso informativo de maio de 1998, mas pela sua relevância, decidimos republicá-la neste mês.