Dúvida pertinaz


Nós, seres humanos, fadados à evolução, muitas vezes, sem que nos conscientizemos, levamos aderida a nossa alma, uma intrigante companhia que, simplesmente, denominamos de dúvida.

Gradual e sutilmente, ela introduz-se em nossas vidas retardando os nossos passos e, não raramente, fazendo-nos sofrer.

Sua presença não permite aquilatar a beleza das palavras, da amizade, da atenção, do carinho que a nós são ofertados, tornando-nos arredios, distantes do mundo de relação que nos faz evoluir, porém partícipes ativos do mundo de incertezas por nós mesmos criado e constantemente potencializado.

Aqueles irmãos de jornada, que conosco caminham, neste planeta de provas e expiações, participando, ofertando, pedindo, interagindo, nem sempre são por nós compreendidos, pois a dúvida pertinaz, fazendo morada em nossa alma, desfigura nosso olhar, nosso ouvir, nosso falar, nosso agir, nosso próprio sentir.

Vivenciando a dúvida exacerbada em seus diversos matizes, revigoramos, a cada dia, sua ação fazendo com que os seus tentáculos abracem os corações puros e inexperientes, contaminando-os com o seu veneno.

A dúvida contumaz nos distancia das pessoas, fazendo com que, com o passar do tempo, de nós se afastem também.

Quando persistente, gera o pessimismo, fazendo-nos enxergar no buquê de rosas apenas os espinhos, no trabalho, unicamente o cansaço, no futuro, exclusivamente as dificuldades e no amor, tão somente, as dolorosas renúncias.

Inexoravelmente a ampulheta do tempo continua sua marcha.

Os anos transcorrem céleres e num determinado momento nos encontraremos sós, tendo, tão somente, em nossa companhia alguns poucos corações que perceberam as nossas fraquezas e amorosamente permaneceram ao nosso lado, compreendendo os nossos equívocos, tentando ajudar-nos a vislumbrar luzes de esperança no reinado de trevas por nós mesmos construído.

Gradativamente, passamos a duvidar não só das nossas capacidades mas também do próprio Cristo Jesus, que veio ao mundo espargir o perfume dos Seus ensinamentos, instalando em definitivo na Terra as leis do verdadeiro amor fraternal, enquanto os frígidos potentados da época, duvidando da Sua excelsa missão, Lhe ofertaram o calvário como prêmio ao Seu incomensurável amor pelos homens e, no madeiro infamante, dolorosamente, O fizeram sucumbir.

Duvidamos, muitas vezes, da Sua história, da pureza e profundidade dos Seus ensinamentos, do Seu testemunho, da Sua sublime missão.

Duvidamos da Sua doce presença, da Sua infinita bondade, a nos reconfortar nos momentos de impiedosas agruras.

Não nos damos conta do Seu empenho para que corações amigos se aproximem de nós nos momentos das maiores dificuldades, fazendo com que palavras amorosas soem aos nossos ouvidos, abrandando as dores da nossa alma.

Duvidamos da importância dos obstáculos que dificultam o nosso caminhar, como sendo alavancas a nos impulsionar rumo à evolução, e O criticamos achando-nos injustiçados.

Duvidamos de que Ele enxuga o nosso pranto, levando ao interior do nosso ser o Seu dúlcido acalanto.

Duvidamos, duvidamos, duvidamos . . .

Por isto tudo, amigo-irmão, esforce-se para eliminar, se a possui, a dúvida obstinada da sua alma, colocando em seu lugar a esperança que reconforta, que estimula, dando-lhe a força necessária para continuar suas lidas, visando a um melhor amanhã.

Tenhamos sempre em mente que o Pai da Vida tudo vê e provê e, como conseqüência, não devemos nos amedrontar face aos obstáculos que a vida nos impõe e acreditemos na bondade infinita deste Pai que é todo amor.

Enfrentemos as dificuldades com destemor, dignidade e respeito para com nossos irmãos do caminho, sem desesperança.

Aconteça o que acontecer, nunca estaremos sós, pois Seu filho, o Divino Amigo Jesus, nos acompanha, ininterruptamente, abrandando nossa fome, mitigando nossa sede, protegendo-nos das intempéries da vida, derramando sobre nós o néctar dulçoroso do Seu amor, preenchendo com harmonia, paz e esperança o cálice do nosso coração!