Disciplina e organização


Durante o nosso vivenciar, sentimos, muitas vezes, a necessidade de usufruir momentos de reflexão para analisarmos e, conseqüentemente, ajustarmos nossa conduta, dando a nós mesmos a gratificante oportunidade de eliminar os nossos equívocos e substituí-los pelos nossos acertos.

A disciplina e a organização, pelo papel importante que desempenham em nossas vidas, deverão sempre estar presentes no nosso dia a dia, auxiliando a nossa caminhada e a daqueles irmãos que nos fazem companhia.

A disciplina, inimiga da indolência, nos faz aprimorar nossa conduta, criando parâmetros, norteando nossos passos.

A organização, por sua vez, nos incita a fazer sempre o melhor, não só para nós, mas também, sem que às vezes nos apercebamos, para aqueles companheiros que de alguma forma possam desfrutá-la.

Nos dias de hoje, envolvidos pela matéria densa, que inebria os nossos sentidos, e, sem a disciplina e a organização na nossa conduta, vamos prejudicando nosso caminhar e, gradativamente, vamos nos sentindo perdidos num mar de incertezas e de indecisões.

Perdemos o foco de nossas vidas, não conseguimos estabelecer objetivos coerentes e, como consequência, ficamos à deriva, à mercê do mar revolto das fugazes ilusões, que fatalmente nos conduzirão ao encontro dos arrecifes, destruindo os nossos sonhos, deixando-nos abraçar pelas mais tristes desilusões.

Sem rumo, seremos mais uma embarcação ao sabor dos ventos, à procura de um porto seguro, porém sem saber como e onde encontrá-lo.

Não conseguimos vislumbrar os problemas que dificultam o nosso caminhar, não conseguimos detectá-los e, conseqüentemente, sentimo-nos impossibilitados de combatê-los e eliminá-los das nossas experiências terrenas.

Queremos, mas pouco fazemos para conquistar.

Exigimos do próximo, mas pouco nos empenhamos para compreender seus limites.

Falamos, mas, nem sempre, exemplificamos.

Julgamos orientar, mas, muitas vezes, magoamos.

Pautamos pelo esquecimento e pela ingratidão, porém exigimos lembranças e consideração.

Queremos o reconhecimento das nossas vitórias, mas, nem sempre, damos o devido valor às conquistas alheias.

Queremos comiseração para com os nossos erros e, por vezes, não toleramos os equívocos daqueles que cruzam os nossos caminhos.

Queremos o perdão, mas, na maioria das vezes, não sabemos ofertá-lo.

Somos doutores para justificar nossos erros, entretanto alunos relapsos para tolerarmos os deslizes dos nossos companheiros de existência.

Queremos amor, todavia, em grande parte das vezes, ainda não aprendemos a oferecê-lo.

Somos complacentes para com as nossas falhas, mas extremamente rigorosos para com as do nosso próximo.

Paremos alguns instantes, disciplinemo-nos, organizemo-nos espiritualmente.

Meditemos sobre as nossas virtudes e defeitos com sinceridade e justiça para que nos transformemos, no amanhã, que sutilmente se aproxima, em almas evoluídas a caminho da luz.

Analisemos o nosso viver, e não o daqueles que conosco comungam esta jornada planetária.

Aprofundemo-nos no conhecimento dos nossos erros para que possamos detectá-los, extirpando-os, definitivamente, dos nossos corações.

Esqueçamo-nos conscientemente de nós próprios e procuremos enxergar um pouco mais as necessidades dos companheiros que nos cercam e que conosco vivenciam as maravilhosas experiências terrenas.

Eliminemos os resquícios de vaidade e orgulho que ainda existam no nosso coração, substituindo-os pela humildade, que dará brilho e luz a nossa alma.

Procuremos visualizar, no ser humano, seus pontos nobres, valorizando-os para que possam se conscientizar das suas virtudes e, ao mesmo tempo, sentirem-se motivados a incrementá-las, tornando a cada dia, mais perfumado o seu caminhar.

Façamos como o Cristo Jesus fez há quase dois mil anos, quando, ao esquecer-se de Si próprio, lembrou-se de todos nós e, por Sua nobre e caridosa atitude, Sua lembrança permanece, indelevelmente, gravada em nossos corações.