Digno labor


A você alma querida, que busca na lida diária conquistar o pão abençoado de cada dia, humildemente, envio algumas poucas palavras que, espero, possam envolver o seu coração em suaves melodias de compreensão e amor.

Após um dia de trabalho profícuo de responsabilidades cumpridas, eis que, ansiosamente, buscamos o refúgio bendito do lar que tão carinhosamente nos acolhe, repondo-nos energias, predispondo-nos à labuta do nosso próximo amanhã.

Corpo e mente cansados do digno labor, muitas vezes, de semblante fechado e impositivo, de gestos impacientes, de raras e insensíveis palavras, adentramos o lar bendito, que nos reconforta, tal como a brisa suave a nos acariciar.

Envoltos em nós mesmos, vivenciando dificuldades solucionadas e outras ainda por resolver, não nos apercebemos que olhos cândidos, ouvidos pacientes, palavras cheias de mel e braços afetuosos nos aguardam com ansiedade, para conosco desfrutarem momentos sublimados de carinho, compreensão, sinceridade e amor.

Supondo-nos possuidores de muito saber, de valores tantos, não nos dignamos a dialogar com estes seres amoráveis, pois subestimamos seus conhecimentos, colocando-nos vaidosamente em degraus mais elevados, e, como conseqüência, desprezamos inúmeras oportunidades de desfrutar fluidos balsamizantes, enviados em nossa direção por aqueles corações queridos, chegando até nós, impregnados da força mágica do amor sem restrições.

Com o passar do tempo, assim interagindo, vamos, pouco a pouco, carreando a estas doces criaturas o desalento, a solidão, a tristeza enredando-as nas obscuras teias do desencanto.

Pelas experiências vividas no trabalho profissional, talvez tenhamos pela prática do pensar e agir, mais rapidez na tomada das decisões, mas não tenhamos dúvidas de que não podemos prescindir, em instante algum, dos eflúvios amorosos exalados por almas que conosco se propuseram a caminhar lado a lado, passo a passo, independentemente das pedras ou das flores, que encontraremos estrada afora.

O que seria da rosa, se não houvesse o caule que a sustenta e os espinhos que a protegem?

O que seria do fruto, sem a fortaleza dos galhos que o mantém e da seiva generosa que o nutre?

O que seria do homem, sem o dulçor dos corações que o amam com toda a sinceridade?

Portanto, alma querida, todas as vezes que se aconchegar no lar, verdadeiro ninho de amor, tenha sempre o semblante descontraído, os ouvidos pacientes, o sorriso sincero, as palavras cheias de mel, os braços repletos de carinho e o coração pleno do mais intenso amor.

Desta forma, você encontrará o refazimento necessário e a felicidade tão esperada e, por ilação, irá fazer com que as almas ao seu redor venham desfrutar também dessa mesma harmonia e paz e, todos, amplexados pelos divinos braços de Jesus, elevarão um hino em louvor ao maior Mestre do Amor, que em épocas idas, pisou o solo desta Terra-mãe que tão generosamente em seu regaço nos acolhe.