Coragem


Quando na erraticidade, ao assumirmos uma nova missão a ser desempenhada nesta Terra abençoada que nos acolhe como generosa mãe, adquirimos naturalmente algumas importantes responsabilidades.

Presenteados fomos com uma nova oportunidade de aqui renascermos, quando tantos irmãos aguardam novas chances para usufruírem um novo corpo carnal, evolverem em espírito e se locupletarem de inúmeras e benditas experiências que, se fraternalmente vivenciadas, os levarão, no amanhã de suas vidas, a desfrutar os amorosos braços de Jesus.

Ao assumirmos, uma vez mais, o corpo material que nos serve de escafandro para que possamos viver neste mar de sentimentos e emoções, conquistamos inúmeros direitos, adquirimos obrigações e dele devemos fazer o melhor uso, para que possamos, no final desta nova experiência de vida, ter a consciência em paz por tê-lo usufruído bem, não só em nosso próprio favor mas, principalmente, em prol de todos aqueles que conosco transitam pelas mesmas estradas.

O fato de novamente estarmos reencarnados, por si só, evidencia que nos dispusemos, perante o Pai da Vida, a reiniciar uma nova trajetória vivencial e para tanto nos revestimos de uma jóia rara da espiritualidade que simplesmente denominamos de coragem.

Com ela auferimos as forças necessárias para vencermos as vicissitudes e seguirmos vitoriosos rumo à eternidade.

Como somos velhos passageiros do comboio do amor, já temos em nós os conhecimentos e a consciência exata do que sejam as virtudes e, portanto, necessitamos apenas, nesta nova oportunidade de renascimento, de coragem suficiente para docemente testemunhá-las:

a coragem de, desde cedo, levarmos carinho, amor e gratidão àqueles que nos serviram e nos ofertaram seu patrimônio de pais;

a coragem de recebermos amorosamente em nosso regaço aqueles que vieram desfrutar a nossa presença como filhos, irmãos, parentes, amigos e companheiros;

a coragem de nos empenharmos na nossa luta interior, extirpando os fantasmas das desvirtudes que tanto prejudicam nosso crescimento espiritual;

a coragem de fazermos da humildade a nossa bandeira a tremular em todos os momentos da nossa existência;

a coragem de dignificarmos a caridade, ofertando, auxiliando, sem magoar, nem ferir;

a coragem da sinceridade, eliminando de vez, o aroma ácido da mentira das nossas entranhas;

a coragem de nos conscientizarmos dos erros cometidos, corrigindo o rumo dos nossos passos para o amanhã;

a coragem de pedirmos perdão todas as vezes que a alguém tenhamos decepcionado ou ferido;

a coragem de nos destituirmos das medalhas do orgulho que pesam em nossa alma, retardando nossa caminhada;

a coragem de nos desfazermos da vaidade que nos atribui valores que, na realidade, não possuímos;

a coragem da justiça, levando-a conosco como bagagem bendita qualquer que seja a viagem que empreendamos, mesmo quando ao aplicá-la, momentânea e materialmente, nos prejudicarmos, porque espiritualmente estaremos desfrutando a branda presença do Mestre do Amor, avalizando nossa atitude;

a coragem da brandura, fazendo-a morar no âmago da nossa alma, exteriorizando-a em favor de todos aqueles que se encontram necessitados;

a coragem da palavra melíflua que anestesia os ouvidos recalcitrantes, sutilmente, fazendo-os se aperceberem dos sons maviosos do hino do amor a penetrar seu íntimo.

Definitivamente, a coragem de nos conscientizarmos das nossas tantas responsabilidades perante a vida, fazendo com que o Cristo Jesus seja sempre a estrela guia a iluminar as nossas passadas, para que em momento algum das nossas existências nos esqueçamos dos irmãos que ao nosso lado buscam a felicidade, fazendo com que a nossa felicidade seja simplesmente a de deixá-los felizes também!