Conversando


Ao reencarnarmos nesta Terra-mãe que em seu carinhoso regaço nos acolhe, facultando-nos a oportunidade de desfrutar novas experiências, ensejando-nos aprendizado profícuo para nossas almas carentes, passamos, em um átimo, de doces criaturinhas dependentes a jovens, muitas vezes, livres de qualquer tipo de sujeição.

Nesta fase da vida, não é incomum que esta juventude, ao se deparar com companheiros de jornada já evidenciando em seus cabelos a névoa dos tempos vividos, os considerem como seres ultrapassados, carentes do novo saber, tendendo, por conseqüência, a oferecer-lhes um mínimo de atenção, pois entende que nada ou quase nada têm para ofertar-lhe.

Assim pensando, os jovens mergulham no mar enganoso das ingênuas pretensões deixando de haurir conhecimentos que trariam às suas vidas novas expectativas, novas esperanças, novas riquezas, poupando-os de dissabores, tristezas e dores.

Valorizando desmesuradamente esta fase, sem dúvidas, rica de aprendizado, porém perigosa de viver, os jovens, por vezes, embrenham-se imprudentemente na floresta mundana, buscando o fruto extemporâneo dos prazeres efêmeros e ilusórios, olvidando os frutos sazonados e dulçorosos da espiritualidade.

Neste interregno, entre a infância e a fase adulta, a sede de novos conhecimentos faz os jovens sonharem, seus olhos enxergam cores de variados matizes, o mundo se manifesta com as mais belas colorações e, muitas vezes, não se apercebem que, na realidade, somente o branco e o negro se apresentam diante das suas vistas ludibriadas pelas aparências sutis e, ao mesmo tempo, enganosas.

Seus ouvidos tendem a captar sons e palavras que entorpecem os sentidos, estimulando as emoções, desprezando aquelas que poderiam levar as suas almas a desfrutar da harmonia e da paz tão importantes para o digno viver.

Seus lábios tendem a emitir, muitas vezes, palavras destituídas de carinho e amor, cultuando o eu, pretensioso e falaz.

Assim sendo, exacerbam o sentir carnal passageiro, esquecendo-se da exuberante realidade do espírito imortal.

Porém, a ampulheta do tempo indiferente e implacável segue seu rumo e estes, outrora jovens, apercebem-se que os seus cabelos começam a ser salpicados pela neve dos anos, que seus corpos não exibem a mesma silhueta de tempos idos, que o seu caminhar já não apresenta mais o mesmo vigor e, por conseqüência, abatem-se, levando a tristeza aos seus semblantes e a inércia às suas mãos e aos seus corações.

Por razões várias, a vida os faz refletir, meditar e, num instante iluminado das suas mentes, se conscientizam que um outro tesouro, de valor imensurável, vem emergindo do imo do seu ser, fundamentado nos conhecimentos auferidos e na experiência vivida, iniciando-se portanto o processo venturoso da conquista da sabedoria.

Somente disto vieram a se dar conta após terem passado pelas mesmas situações que outros tantos já haviam vivenciado.

Portanto a você, jovem querido, que bondosamente me oferece a paciência do seu ouvir, gostaria de modestamente dirigir algumas palavras provindas do meu sincero coração.

Não se torna necessário aguardar que os seus cabelos embranqueçam, que o desencanto do corpo cansado o visite, que seus olhos não possuam mais o mesmo brilho, para que seus ouvidos se tornem mais tolerantes, sua palavra mais doce e compreensiva e seu agir pautado pela ponderação e a sensatez.

Faça dos seus ouvidos a morada da paciência, dando escuta às pessoas mais vividas, pois mesmo que não comunguem o seu pensar e agir, é uma oportunidade que elas, carinhosamente, lhe presenteiam para que possa refletir, comparar o seu pensamento com o delas próprias, possibilitando-lhe melhor decidir seus caminhos, disciplinar os seus passos, talvez, antes do diálogo, titubeantes e conseqüentemente indecisos.

Assim interagindo, você poupa para si mesmo infortúnios e desilusões, trilhando estradas que outros já percorreram e, desavisados, tiveram o dissabor de comprovar a rudeza do terreno e os perigos de íngremes precipícios.

É importante que você, jovem, os ouça educada e gentilmente, sem críticas e sem ásperas discussões.

Dialogue com cortesia, usufrua profundamente estes momentos e, nesta conversa amistosa, as palavras vão surgindo, as frases se formando, os pensamentos adquirindo vida e, enquanto os seus ouvidos captam os sons, o seu coração assina o conteúdo da profícua conversação com a pena aveludada dos sentimentos aflorados do recôndito da sua alma.

Compreenda que cada ser vivente na Terra é detentor de pontos de vista diversos, edificados não só pelas suas experiências desta vida, mas enriquecidos com os conhecimentos conquistados pelo seu espírito ao longo das suas árduas trajetórias reencarnacionistas.

Aproveite, querido jovem, as oportunidades valiosas que generosamente o viver lhe oferece neste campo fértil da conversação e do diálogo.

Assim agindo, irá precocemente adquirindo conhecimentos tantos, vivenciando experiências advindas de distintas fontes, enriquecendo-se ininterruptamente, o que lhe propiciará, com o passar dos tempos, um amadurecimento alicerçado na compreensão e na fraternidade, fazendo-o, sutilmente, mais e mais se aproximar do aconchego caloroso dos braços de Jesus!