Cega vaidade


Por força dos conhecimentos auferidos pelas nossas mentes e corações ao longo da escalada reencarnatória, das experiências e informações que vão adentrando o manancial dos nossos sentidos e com o transcorrer dos anos, somos, por vezes, instintivamente impelidos a nos reconhecer possuidores de muitos conhecimentos e de muitas verdades, atribuindo-nos valores de que ainda não somos detentores.

Assim sendo, gradativamente, tornamo-nos observadores atentos e perspicazes, transformando-nos, pouco a pouco, em críticos frios e impiedosos, distanciando-nos da chama aconchegante da fraternidade e do amor.

Detentores de pretensioso saber, os donos absolutos da verdade, sem nos apercebermos, vamos nos apartando do mundo maravilhoso que nos circunda, passando a vivenciar, sutilmente, a solidão que para nós mesmos, ingenuamente edificamos.

Corações a nós ligados pelos laços de consangüinidade vão lentamente se dando conta dos nossos deslizes e equívocos, mas por força do amor compreendem-nos, perdoam-nos pela nossa indevida e cega vaidade, esperando que com o passar dos tempos a vida possa ensinar-nos a simplicidade do verdadeiro caminho a ser trilhado.

Somente nos apercebemos das coisas e fatos que a nós e àqueles a quem amamos interessa.

Senhores do mundo, achamos que de ninguém necessitamos, auto-suficientes, achamo-nos capazes de viver sem de ninguém depender.

Ledo engano.

Não temos tempo de refletir: o teto que nos cobre, as roupas que nos vestem, a mesa que ao seu redor nos sentamos, o alimento que nos nutre, a água que mitiga a nossa sede, a cama que refaz nosso corpo da lida diária, o cobertor que nos protege, a luz que nos alumia, não foram por nós criados e produzidos e que milhares de mãos por nós desconhecidas as confeccionaram para atender às nossas, às vezes, tão primárias, necessidades.

Somos, tão-somente, usufrutuários dos tesouros do mundo e, muitas vezes, temos dificuldades para reconhecer e aceitar.

Todos nós, sem qualquer exceção, necessitamos uns dos outros e juntos somos capazes de muito e sozinhos reduzidos estaremos às nossas mais ínfimas possibilidades.

Deixemos as críticas dizerem adeus à nossa mente, fazendo com que a luz venha iluminar os nossos olhos obscurecidos, que a musicalidade do amor adentre nossos ouvidos, que a doçura envolva as nossas palavras e a nossa voz, que o trabalho em favor do próximo locuplete nossas mãos e que o suave perfume do Cristo Jesus balsamize nossa alma.

Assim agindo, a cada dia iremos reconhecendo a importância de cada ser humano aqui vivente que, como nós, busca sem cessar a felicidade, sem nos darmos conta de que começaremos a encontrá-la quando compreendermos o verdadeiro sentido da humildade e do reconhecimento dos valores e necessidades alheios, que o Divino Amigo, na sua peregrinação por este bendito planeta azul, tão docemente vivenciou, tornando-se merecida e unanimemente reconhecido como o "Mestre de todos os Mestres!"