Ainda há tempo


Por que perdemos tanto tempo na nossa vida!?

Por que continuamos cativos da matéria ilusória que a cada momento nos faz constatar sua dura realidade!?

Por que permanecemos aguardando da vida aquilo que ela, talvez, não nos oferte!?

Há quase dois mil anos, durante a excelsa peregrinação por esta Terra abençoada, Jesus nos legou Seus sábios ensinamentos e nos fez ver as veredas a serem seguidas para que os nossos espíritos pudessem alçar vôos rumo ao infinito.

Apesar desta luz brilhantíssima que o Cristo pacientemente faz espargir sobre toda a humanidade, aqui estamos nesta romagem terrena, caminhando lentamente, fazendo com que o nosso precioso tempo se escoe, na superficialidade da matéria, nos efêmeros prazeres, nas passageiras gloríolas do mundo.

Apesar de sentirmos, no interior das nossas almas, a verdade dos Seus ensinamentos, ainda permanecemos como almas relapsas esperando do mundo suas vantagens, suas perecíveis riquezas, para, só, num porvir distante, iniciarmos nossa verdadeira caminhada rumo aos braços do Sublime Nazareno.

Envolvidos sutilmente pela matéria densa e cativante, protelamos para o amanhã o que já deveríamos ter iniciado há muito tempo.

No aconchego do nosso lar, muitas vezes, nos encontramos diante do espelho sincero e constatamos que os nossos cabelos já estão cobertos pela neve dos anos, nossa pele já não aparenta o mesmo viço de outrora, nossos olhos já estão sem o brilho que os caracterizava, nossas mãos sem os reflexos da mocidade, nossos passos destituídos da segurança de tempos idos, enfim, nosso corpo evidencia o peso dos tempos vividos.

Mesmo assim, diante destas verdades, ainda continuamos desejando do mundo prazeres que satisfaçam os nossos instintos fazendo da matéria enganosa o centro absoluto da nossa existência.

O espelho, simplesmente, reflete a realidade exterior do nosso corpo físico que, pouco a pouco, vai se curvando cansado para, num determinado momento, vencido, entregar-se à Terra acolhedora.

Entretanto, é incapaz de evidenciar o interior da nossa alma, suas virtudes, suas imperfeições.

O espelho, amigo sincero, todas as vezes que o utilizamos podemos constatar que o tempo transcorre com rapidez e necessário se torna que atentemos no futuro e procuremos enriquecer a nossa alma, imantando-a com os ensinamentos de Jesus, para que, no porvir, possamos desfrutar a Sua celeste companhia.

Apesar do alerta que o espelho nos dá, esquecemo-lo e continuamos em busca das ilusões a que a matéria efêmera nos induz e, iludidos, ludibriamos a nossa própria razão e não conseguimos nos aperceber que os anos vão passando e com eles nossa vida também.

Por que tanto tempo desperdiçado?

Por que esta teimosia incoerente, deixando-nos envolver e enganar pelas coisas fúteis em que o mundo da matéria é pródigo?

Por quais razões não procuramos dedicar, no dia a dia das nossas existências, alguns poucos minutos à realidade do espírito?

Por que relegamos para plano secundário o que, na verdade, é a razão do nosso nascer, do nosso existir?

Por que razões, ingratos, nos esquecemos das doces lições do Divino Peregrino, deixando de ir ao encontro das almas sofridas e que ainda não se aperceberam do real sentido das Suas palavras, palavras estas, que já adentraram os nossos ouvidos, acariciaram nossa razão, mas ainda não conseguiram penetrar nas profundezas do nosso coração?

Meditemos um pouco sobre o realismo da espiritualidade e procuremos sentir sobre os nossos ombros o peso da responsabilidade pelo fato de termos dela já alguns, senão muitos conhecimentos.

Procuremos eliminar de nós mesmos a indolência, que dificulta os nossos passos retardando nosso encontro com o Celeste Amigo, empenhando-nos para sermos Seus seguidores testemunhando a verdade dos Seus ensinamentos.

Tenhamos a certeza de que caminhamos todos rumo à evolução espiritual e o que deverá ser feito assim o será, hoje ou amanhã.

Por que perdermos tempo precioso adiando o momento do encontro com a felicidade?

Por quê?

É necessário que tenhamos a coragem suficiente para, com o bisturi do amor e com nossas próprias forças, realizarmos a nossa cirurgia moral, extirpando para sempre da nossa alma o egoísmo instintivo e pertinaz que há tanto tempo nos acompanha, colocando em seu lugar a fraternidade amorosa do terno Emissário dos Céus.

Se assim não fizermos, se protelarmos este momento cirúrgico, tão importante para alcançarmos o paraíso, a dor, mestra paciente e incansável, fatalmente virá ao nosso encontro, fazendo, ela própria, o que deveríamos, nós mesmos, ter feito.

Não adiemos mais o nosso encontro com Jesus.

Ainda há tempo, enquanto estamos a caminho!